O transtorno de pânico se caracteriza pela ocorrência de crises repentinas de medo ou ansiedade, chamadas de crises de pânico. Essas crises podem acontecer em outros problemas, como na depressão ou nas fobias. No transtorno de pânico, os ataques acontecem de forma inesperada e recorrente.

O ataque de pânico é um surto agudo de medo ou desconforto que piora rapidamente em minutos e é acompanhado de diversos sintomas no corpo. Por exemplo, durante uma crise de pânico, a pessoa pode sentir o coração disparado, falta de ar, tremores, sufocamento, tontura, formigamentos, etc. A sensação pode ser de que vai morrer, infartar, desmaiar, ter um derrame ou "um treco".

Os ataques de pânico podem ter algum desencadeante, um gatilho, ou seja, podem surgir em uma situação em que a pessoa esperaria que eles acontecessem. Estes ataques são chamados de ataques de pânico situacionais ou esperados. Também podem acontecer ataques de pânico inesperados, ou seja, em uma situação em que não há um desencadeante claro e a pessoa não esperaria que acontecessem. Podem acontecer ataques de pânico inclusive em situações de relaxamento ou emergindo do sono.

Para o diagnóstico de transtorno de pânico, pelo menos um ataque precisa ter sido inesperado, mas ataques esperados também podem acontecer (por exemplo, em lugares cheios e fechados).

Além dos ataques de pânico, também podem acontecer outros sintomas. Pode haver um medo ou uma preocupação sobre ter novas crises ou sobre as consequências delas. Geralmente, são preocupações de que os ataques reflitam uma doença que ameace a vida (como um ataque cardíaco ou um derrame) ou de chegar ao ponto de enlouquecer ou perder o controle.

A pessoa pode ainda mudar comportamentos em função das crises (ou do medo delas) que acabam levando a mais problemas. Pode, por exemplo, passar a evitar transporte público, lugares distantes ou desconhecidos, ficar em lugares cheios ou mesmo fazer exercícios ou ficar sozinha.

O transtorno de pânico atinge cerca de uma pessoa em cada cinquenta (2 a 3%) em um ano. As mulheres têm o dobro de chance de desenvolver o problema.

O início dos sintomas é raro antes dos 14 anos. O risco de desenvolver o transtorno aumenta ao longo da adolescência e é máximo no início da vida adulta. A maioria das pessoas começa a apresentar sintomas entre 20 e 25 anos. Sem tratamento, o curso é crônico, com períodos de piora e melhora ou, às vezes, com agravamento progressivo. Pode ainda, complicar-se com o surgimento de sintomas depressivos ou abuso de substâncias como calmantes e álcool.

Muitas pessoas relutam em procurar tratamento especializado, passando por médicos de diversas especialidades por acreditar que o problema é somático.

Não se conhece uma causa específica. Sabe-se que pessoas com reações emocionais mais intensas a situações negativas têm mais chances de desenvolver este e outros quadros de ansiedade. É comum que, antes do surgimento dos sintomas, a pessoa tenha passado por situações de estresse como problemas de relacionamento, sobrecarga de trabalho ou mesmo algum problema de saúde. Existe uma predisposição genética que envolve vários genes e é inespecífica, ou seja, outras pessoas da família podem ter outros transtornos de ansiedade ou mesmo depressão. Também se sabe que uma região do cérebro responsável por disparar uma reação extrema a perigos (reação de luta ou fuga) encontra-se hiperativa e os medicamentos agem inibindo estes "alarmes falsos".

O tratamento do transtorno de pânico começa com boas informações sobre a natureza do transtorno e as opções terapêuticas disponíveis, de maneira que médico e paciente possam tomar as decisões em conjunto.

O tratamento pode ser medicamentoso (com alguns antidepressivos), psicoterápico ou uma combinação dos dois.

Os calmantes (tarja preta) não devem ser usados rotineiramente, mas podem ser úteis pontualmente ou por curtos períodos de tempo, pois podem provocar dependência.

Os antidepressivos mais utilizados aumentam o efeito de um neurotransmissor (serotonina) e não provocam dependência.

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